O vinho do ano!

17/11/2010

Finalmente foi divulgado, pela Wine Spectator, o vinho do ano! E é da Califórnia, mais especificamente, de Paso Robles, uma região encantadora (qualquer dia, falo mais sobre a região, uma das minhas preferidas!).

Então, em 1o. Lugar:

Saxum
James Berry Vineyard Paso Robles 2007

98 pontos / $67
950 caixas produzidas
California

Em 1998, quando Justin Smith, 28 anos, começou a fazer vinho em Paso Robles, esta era apenas uma pacata área da Costa Central. Agora, é uma das regiões californianas de maior crescimento. A parte oeste de Paso tem uma combinação mágica de solos calcários rochosos, encostas onduladas e um clima não tão frio, que dá às variedades tintas do Rhône, uma estrutura firme para enquadrar o seu rico e escuro sabor de frutas.

Smith, que é dono das 3.000 caixas da vinícola Saxum junto com sua mulher Heather, cria vinhos de carácter distintivo, profundidade e personalidade. Em 2007, com uma safra quase perfeita, os vinhos Saxum atingiram novos patamares. O James Berry Vinha Paso Robles 2007 é uma mistura de Grenache, Syrah e Mourvèdre de uma vinha que leva o nome do pai de Smith. As três variedades são envelhecidas 20 meses em barricas novas e usadas e grandes “puncheons” para enfatizar a pureza da fruta. Com a sua qualidade clássica e preço razoável, este vinho é uma prova que Paso Robles ganhou seu lugar no cenário mundial.

Notas de Degustação (por JL) – Um vinho surpreendente, denso, rico e em camadas, oferecendo uma mistura de poder e elegância, com frutas vermelhas escuras concentradas, mineral, sálvia, erva e notas de cedro, que é puro, intenso, concentrado e persistente. Grenache, Mourvèdre e Syrah. Beber agora até 2018.

Continuando a lista dos Top 10

16/11/2010

7o. lugar

Schild
Shiraz Barossa 2008

94 pontos / $20
5.000 caixas importadas
Australia

Nível inicial da Schild, tem todos os “apetrechos” de um vinho superior, mas é vendido por uma fração dos vinhos de outros produtores. A vinícola é capaz de alcançar isso porque é um dos maiores produtores independentes em Barossa, com mais de 400 hectares de vinha. Os enólogos Jo Irvine e Scott Hazeldine usaram uvas da fria região sul de Barossa para produzir este tinto polido e complexo, que foi envelhecido em barris de carvalho americano, novos e usados.

Notas de Degustação (por HS) – Este vinho, grande e macio, é polido, maduro e complexo, oferecendo uma expressão de carne assada e noz para seus aromas e sabores de cereja preta, amora, tabaco e alcaçuz. Final longo e expansivo. Beber agora até 2020.

6o. lugar

Paul Hobbs
Pinot Noir Russian River Valley 2008

94 pontos / $45
3.644 caixas produzidas
California

Paul Hobbs fez este excepcional Pinot Noir em um ano complicado e em volume considerável, um desafio para a maioria dos viticultores. Hobbs fundou seu próprio rótulo, em 1991, mas também presta consultoria para dezenas de clientes na Califórnia, Argentina, Chile e Hungria. Este é engarrafamento é um de seis diferentes 2008 Pinot Noirs californianos de Hobbs. As uvas para este vêm de seis vinhedos de Russian River Valley, incluindo a Lindsey Estate, Valdez e Walker Station.

Notas de Degustação (por JL) – Este elegante 2008 apresenta aromas maravilhosos de framboesas silvestres, anis, amora e especiarias, com toques minerais e sálvia. Encorpado e complexo, é vibrante, focado, intenso e persistente. Beber agora até 2016.

A Wine Spectator vai fazer um suspense até o final, agora… Vamos esperar!

Os melhores de 2010

16/11/2010

A Wine Spectator acaba de divulgar, de antemão, os vinhos que ficaram nas colocações 10, 9 e 8 da lista dos Top 100 de 2010.

São eles:

10o. lugar 

Clos des Papes
Châteauneuf-du-Pape White 2009

95 pontos / $100
1.000 caixas produzidas
França

O Clos des Papes é altamente reconhecido por seu blend tinto, que foi, inclusive, o grande vencedor de 2007, mas esta propriedade também um dos melhores brancos da denominação. Do Sul do Rhône, da excelente safra de 2009, este vinho combina, em partes iguais, as uvas Grenache Blanc, Clairette, Roussanne, Picpoul e Bourboulenc. Para manter o frecor, Vincent Avril fermentou o vinho em aço inoxidável e evitou a conversão malolática. Esse branco ainda irá se beneficiar de alguns anos em adega.

Notas de degustação (por JM) – Super fresco, com aromas de amêndoas descascadas, ameixa verde, maçã amarela e notas de verbena, levadas por uma mineralidade quase viva. O final é realmente brilhante e apetitoso. Há, ainda, toques de pedra e um toque firme. Pede um tempo em adega. Melhor se consumido entre 2011 e 2020.

9o. lugar 

CARM
Douro Reserva 2007

94 pontos / $27
8.500 caixas produzidas
Portugal

CARM stands for Casa Agrícola Roboredo Madeira. A família Madeira é dona da vinícola no vale do Douro desde 1600, mas até uma década atrás, eles estavam mais focados em oliveiras do que em seus 150 hectares de vinhas. O enérgico Rui Roboredo Madeira é o produtor desde 1999, responsável pela vinicultura dos sete vinhedos no Douro Superior. O Reserva é uma mistura de Touriga Nacional, em maior parte, com um pouco de  Touriga Franca e Tinta Roriz, envelhecido em carvalho francês e americano.
Notas de Degustação (por KM) – Um vermelho elegante e poderoso, com aromas intensos e sabores de bagas vermelhas, fumo, framboesa e especiarias que são suportados por taninos bem integrados, com muita estrutura. Muito parecido com o estilo da Borgonha, com um final focado em frutas vermelhas e figo esmagados. Apenas um bebê. Melhor se consumido entre 2012 e 2017.
8o. lugar 
 

Fontodi
Colli della Toscana
Centrale Flaccianello 2007

95 pontos / $110
5.000 caixas produzidas
Italia

A área em torno da propriedade Fontodi em Panzano é conhecido como o Conca d’Oro, ou a Concha de Ouro, pela sua forma de anfiteatro, que retêm o calor e é excelente para o amadurecimento das uvas. Flaccianello, cem por cento Sangiovese, é uma selecção das melhores uvas da propriedade. O 2007 foi fermentado em aço inox, transferido para barricas de carvalho durante a fermentação maloláctica e envelhecido em carvalho francês por 18 meses. Esta é a terceira aparição Top 10 para Flaccianello e para o proprietário Giovanni Manetti, nesta década.

Notas de Degustação (por JS) – Um Sangiovese generoso, com muita amora, cereja escura e bagas no nariz e no paladar. Completo e longo. Mastigável. A madeira nova poderia ter um pouco menos de sabor de cevada, mas o fruto é fabuloso. Decola no final. Melhor depois de 2012.

P.S.: O Flaccianello 2006 ficou nesta mesma posição, em 2009.

http://www.winespectator.com/display/show?id=top100-2010

Já saiu, também, as posições 7 e 6, que irei postar mais tarde!

Coluna Enogourmet

08/11/2010

Aproveitando que estou querendo reativar este blog, irei, semanalmente, publicar por aqui, também, a coluna do JC.

A partir de quinta-feira, fiquem de olho!

Bonny Doon

08/11/2010

Acabei de achar no site “Jornal do Vinho” uma entrevista com Randall Grahm, um vinicultor californiano que é uma figura e elabora vinhos para lá de originais. Já degustei alguns de seus vinhos, todos excelentes. O enfoque dele é nas uvas francesas da região do Rhône e na vinicultura biodinâmica.

O próprio site do cara já é uma viagem. Os vinhos, por sua vez, recebem nomes como Le Cigare Volante (cujo rótulo tem um disco voador sobrevoando um vinhedo), Dewn Imagine, Super Tuscan (com um rótulo de super herói), Bien Nacido, entre outros. Basta acessar a página da Bonny Doon que vocês podem conferir as loucuras do enólogo californiano.

Li a matéria e bateu uma saudade da Califórnia… Por isso, resolvi dividir com vocês esta matéria. Uma pena que no Brasil ainda seja um pouco difícil encontrar…

Quem se interessar pela entrevista, pode conferir a matéria completa aqui.

Wine of the World (WOW)

04/11/2010

Ontem, Licínio e Luli Dias promoveram um jantar, no Porto Ferreiro, para divulgar o evento Wine of the World, que acontecerá no próximo dia 10, no JCPM Trade Center.

O evento, destinado a distribuidores, donos de restaurantes e, claro, enófilos de plantão, contará com a presença de 36 vinícolas de países como França, Itália, Portugal, Espanha, Chile e Argentina. É o primeiro evento deste porte que acontece em Recife (levando em consideração os vinhos que serão desgustados!) e se extenderá pelas cidades de João Pessoa e Fortaleza.

Apenas 150 ingressos estarão à venda por R$ 100,00 e quem comparecer terá a chance de comprar os vinhos expostos com 20% de desconto do valor de tabela. Oportunidade imperdível para os amantes do vinho!

Numa prévia do que teremos a oportunidade de degustar, no dia 10, pudemos apreciar, ontem:

1) Alta Vista Brut. Mendoza – Argentina.

2) Raposeira Brut Rosé, elaborado a partir das castas Touriga Francesa, Touriga Nacional e Tinta Roriz, através do método tracional, permanecendo 3 anos em caves. Lamego – Portugal.

3) Tarapacá Gran Reserva Sauvignon Blanc 2009, com um estilo bem diferente dos outros vinhos desta uva, este vinho me encantou!

4) Alta Vista Atemporal Blend 2007, um blend de Malbec, Cabernet Sauvignon, Syrah e Petit Verdot. Mendoza – Argentina.

5) Rubrica 2008, elaborado pelo prestigiado enólogo Luís Duarte, este vinho traz um rótulo especial assinado por Luli e Licínio Dias. Um blend de Alicante Bouschet, Touriga Nacional, Aragonez, Syrah e Petit Verdot. Alentejo – Portugal

6) Quinta do Mouro “Casa dos Zagalos” Reserva 2006, blend de Trincadeira, Aragonez e Alicante Bouschet, com um aroma de canela bem marcante! Estremoz – Portugal.

7) Muga Reserva 2004, produzido a partir das castas Tempranillo e Garnacha (além de Manzuelo e Graciano em menores quantidades), foi o meu preferido da noite. Rioja – Espanha.

8 ) Dow’s 20 anos Tawny, vinho do Porto envelhecido. Douro – Portugal.

Quando me levantei para ir embora, Licínio ainda pediu que eu provasse o “Vadio”, um tinto que eu já havia comprado na própria Casa dos Frios, por causa do rótulo (acho que nunca falei aqui da minha coleção de rótulos, né?! um dia…). Vinho simples e despretencioso da Bairrada.

Quase que a noite não acaba… Agora, basta esperarmos pelo evento do dia 10. Não percam!

Ausências

25/10/2010

Eu sempre digo que vou voltar a escrever e nunca consigo, né?! É que o pouco tempo que me sobra para escrever sobre vinhos, eu acabo usando para escrever a coluna do JC Online.

Mas como tenho um “estilo” para a coluna, acabo deixando várias outras coisas de lado, como esse tipo de notícia que acabei de postar abaixo e, também, sobre os lançamentos do mercado e outras coisas interessantes.

Irei me policiar para escrever mais por aqui, incluindo, também, os textos da Enogourmet. Será minha resolução para 2011, que já irei “treinando” desde agora!

Espumantes nacionais em destaque

25/10/2010

Talvez muitos não saibam, mas os espumantes nacionais vêm se desenvolvendo e são, cada vez mais, destaques fora do país. Há muito tempo atrás, ouvi uma declaração do presidente da Chandon francesa que o Brasil deveria focar e investir nos espumantes.

Este mês, a Wine Enthusiast, revista norte-americana, traz um artigo falando sobre os nossos exemplares borbulhantes. O editor da revista, Adam Strum, fala, inclusive, da beleza da geografia da região de Bento Gonçalvez, na matéria. Ele menciona que alguns vinhos, particularmente aqueles produzidos a partir da Merlot e da Cabernet Franc, merecem destaque e fala, também, de alguns produtores como Pizzato, Miolo e Lidio Carraro. Mas a ênfase da matéria é sobre os espumantes!

E, realmente, o Brasil tem tudo para focar nesta bebida. As condições climáticas favorecem o cultivo das uvas destinadas à elaboração dos espumantes e, em conjunto com boas técnicas de vinificação, aliados, também, ao investimento em tecnologia e em consultorias especializadas, o resultado é um produto de altíssima qualidade e que sai, para nós, a preços relativamente baratos. Sem dúvidas, um ótimo custo-benefício!

A Cave Geisse é considerada como uma das melhores – se não a melhor! – casa de espumantes do Brasil, com produtos que foram avaliados em mais de 90 pontos. Mas outros produtores têm se destacado, como a Aurora, a Chandon, a Casa Valduga (todos mencionados no artigo), além da Lidio Carraro, a Miolo, entre outros.

Vamos aproveitar que o verão está chegando (aqui em Recife, já chegou faz tempo!) e investir nos espumantes nacionais para espantar o calor e comemorar as festas de fim de ano!

Como servir espumantes

16/08/2010

Acabei de receber uma “News Alert” da Decanter.com e achei interessante compartilhar com vocês.

O título era “Champagne melhor servido como cerveja, diz francês”.

Alguns cientistas franceses, estudando a bebida, perceberam que a melhor forma de manter a perlage (bolhinhas) do Champagne (e espumantes em geral) seria servindo-o como cerveja, ou seja, virando um pouco a taça. Isso revela que as borbulhas permanecem por mais tempo do que quando despejada diretamente na taça, esperando a espuma baixar e enchendo novamente.

Já Tom Stevenson, uma autoridade quando se trata de Champagne e Espumantes (além de autor da Sotheby’s Wine Enciclopedia, entre outros livros e artigos sobre o assunto), discorda. Segundo ele, servir Champagne como quem serve cerveja é uma maneira de servir de muito mal gosto, que dificilmente seria adotada pelos Sommeliers. Ele ainda complementa dizendo que a forma como os sommeliers servem a bebida facilita a liberação do gás carbônico, evitando que as bolhas estourem em nosso nariz.

A pesquisa também revelou que os espumantes, servidos a uma temperatura mais baixa, retêm mais a perlage do que aqueles servidos em temperaturas mais elevadas. E ainda diz que servir como cerveja é uma forma mais delicada do que a forma tradicional.

(Para acessar a matéria, clique aqui!)

Bom, a briga, pelo visto, começou. Com certeza, muitos especialistas do ramo de vinhos vão retaliar esta pesquisa.

Eu já vi, inclusive, vários garçons inclinando a taça para servir os espumantes. Creio eu que pensando, exatamente, na questão da espuma. Mas como Sommelier, também não acho que seja a melhor forma. Querendo ou não, existe toda uma etiqueta por trás dos vinhos (e nós, sommeliers, temos que estudar muito isso!). O ideal é que a bebida seja servida devagar para evitar que a espuma cresça muito na taça, mas de forma constante. E quanto mais o espumante estiver na temperatura ideal, melhor será o serviço.

O espumante é uma bebida delicada e deve ser tanto servida, quanto apreciada como tal.

Coluna Enogourmet

23/07/2010

Gente, faz mais de 1 ano que eu não apareço por aqui. Mas tenho escrito uma coluna semanal no JC Online, que vocês podem acompanhar clicando aqui.

Não esqueçam: toda sexta-feira, um texto novo! Confiram!


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